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Conjuntura afunda cotações em direção ao preço mínimo

 

Entidades buscaram apoio no governo federal com PEP e Pepro e redução tarifária, mas ajuda só virá se cotações baterem nos preços mínimos de R$ 34,97 Uma conjuntura formada pela pressão de oferta do Mercosul sobre os atraentes preços em dólar do mercado brasileiro, indústrias abastecidas, e produtores precisando vender arroz até o final do ano para pagar o custeio prorrogado e as parcelas referente às perdas em 2015/16, está forçando para baixo as cotações do arroz em casca do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, responsáveis por 80% da produção nacional. Nos últimos 45 dias os valores dispararam em direção aos preços mínimos estabelecido pelo governo federal, que neste caso é de R$ 34,97 por saca de 50 quilos, em casca (58x10).

No mercado livre gaúcho há negócios abaixo de depreciados R$ 36,00, em plena entressafra e no momento em que a semeadura da nova safra já iniciou. Este produto foi colhido totalizando um custo superior a R$ 45,00, em média, na safra 2016/17. Ou seja, apresenta um prejuízo de pelo menos R$ 9,00 por saca, salvo exceções. As entidades setoriais estiveram ontem reunidas com os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Agricultura, Blairo Maggi. Pediram mecanismos de comercialização e redução de tarifas como a da energia elétrica. Mas, não levaram mais do que a promessa de que a situação será estudada e, se necessário, serão aplicadas as regras da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

José Carlos Pires, da representação do governo gaúcho em Brasília (DF), foi um dos presentes e divulgou estar esperançoso com as demandas futuramente. Este foi o segundo encontro da cadeia produtiva com dirigentes do MAPA em 15 dias. No primeiro solicitaram também mecanismos de comercialização, travas sanitárias, comerciais ou tributárias que equalizassem os preços do arroz do Mercosul no mercado brasileiro.

Para que seja disparado um mecanismo de comercialização pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é preciso que os preços médios de comercialização, baseados no indicador Cepea/Esalq, fique igual ou abaixo de R$ 34,97. As indústrias estão solicitando Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para exportação e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para até 500 mil toneladas, volume que consideram possível de equilibrar o mercado. No entanto, há dois fatores que preocupam mais ainda. O primeiro é que se a Conab só se mobilizar a partir da chegada neste valor, leva ainda de 40 a 60 dias para os primeiros leilões de compra (Aquisições do Governo Federal – AGFs) previstos em orçamento, acontecerem.

Além disso, os recursos reservados pela Conab, dado ao contingenciamento dos recursos do governo federal, seriam suficientes para mobilizar pouco mais de 350 mil toneladas, volume menor que a expectativa da cadeia produtiva e do que a necessidade apontada pelas entidades. De qualquer maneira, as corretoras gaúchas já deram o “start” na preparação para uma possível volta dos leilões, atualizando documentos e recomendando o mesmo para seus clientes.

A expectativa é de que, mantida a trajetória atual até o final do mês, outubro possa chegar com pelo menos a confirmação de datas para dois leilões de AGFs com volume de pelo menos 100 mil toneladas cada. Uma nova prorrogação de vencimentos chegou a ser sugerida por representantes setoriais, mas não há consenso, uma vez que esta medida atenderia pouquíssimos produtores e geraria ainda mais pressão ao mercado.

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Apesar da luta das entidades, a semana foi de más notícias ao mercado do arroz. Depois de ter despencado 4,4% em agosto, para R$ 38,43, valor equivalente a US$ 12,20, a saca em casca, de 50 quilos, à vista, manteve a trajetória de desvalorização nos 13 primeiros dias de setembro em mais 2,84%, até R$ 37,34, colocada na indústria, nesta quarta-feira. Com o Real fortalecido perante o dólar estadunidense, e com a forte queda nominal, as cotações recuaram também em moeda norte-americana, para US$ 11,93, na contramão da expectativa de alguns analistas de que em setembro o mercado poderia evoluir.

O “barrigaço” do vencimento das primeiras parcelas de julho/agosto para novembro, que parecia uma boa ideia inicial, alongando também o período de oferta. Com arroz a balança comercial negativa e o mercado brasileiro funcionando como um “imã” no Mercosul, como define o economista Antônio da Luz, da Farsul, o tiro saiu pela culatra, mantendo o arrozeiro que teve acesso ao crédito oficial pressionado a ofertar até o final do ano. A lógica defendida por alguns produtores é a de que era melhor ter vendido a R$ 40,00 em junho e julho do que vender em setembro a R$ 36,00 e ainda ter que absorver os juros do alongamento. Aliás, a única certeza do mercado.

GUERRA NA INDÚSTRIA

Ao mesmo tempo, nota-se uma guerra de preços entre as indústrias para manterem suas posições nas gôndolas dos supermercados e desovar seus estoques enquanto não houver uma expectativa de preços melhores. O varejo pressiona em pagar menos, alegando a grande oferta de matéria-prima do exterior. Diversas indústrias do Sudeste obtém vantagens para concorrer com arroz chegando a São Paulo e Minas Gerais na faixa de US$ 10,00 em equivalência 50kg. E as mesmas variedades plantadas no Brasil.

As pequenas indústrias não conseguem acompanhar e estão perdendo posições, ainda que “beneficiadas” pelos ganhos do financiamento direto de custeio, a juros de 2% a 2,5% ao mês. Os estoques recebidos a R$ 37,00 e R$ 38,00, mais os custos de carregamento, hoje valem R$ 36,00. Mesmo com os juros auferidos dos empréstimos, é muito menos do que os R$ 10,00 que esperavam faturar apenas repassando o estoque – em teoria valorizado – no segundo semestre para indústrias de fora do RS.

BALANÇA COMERCIAL

Para piorar, os números da balança comercial se mantiveram negativos. Em agosto o Brasil importou 118,23 mil toneladas de arroz – base casca – sendo 64 mil do Paraguai, 31,3 mil do Uruguai, 14 mil da Argentina e 7,7 mil do Suriname. Pequenas frações de variedades especiais foram adquiridas do Vietnã, Tailândia, Paquistão, Itália, Índia, Guiana, França e Estados Unidos. De janeiro a agosto, oito meses, o Brasil já importou 876,1 mil toneladas. De março a agosto, primeiro semestre comercial 2017/18, são 660,9.

Em agosto, a exportação brasileira chegou a 60,7 mil toneladas de arroz em base casca, 51,3% do volume que foi importado, apresentando um recuo de quase 50% nos volumes embarcados em julho. Os principais destinos foram o Senegal, o Peru e a Venezuela. No ano, Serra Leoa, com 85,2 mil toneladas, o Peru (69.7), Senegal (66,4), a Gâmbia (64,5) e Cuba (42,6 mil toneladas) são os grandes compradores do Brasil.

De janeiro a agosto, o Brasil exportou 507,9 mil toneladas de arroz em base casca. No ano comercial, de março a agosto, foram 377,6 mil toneladas. O déficit é de aproximadamente 283 mil toneladas em seis meses, projetando perto de 600 mil até o final do ano, sem mecanismos de suporte à comercialização. A boa notícia, em meio a isso tudo, é que setembro deve registrar pelo menos 85 mil toneladas de embarques, apesar do câmbio e da infraestrutura portuária.

PORTO

Neste sentido, também há uma má notícia: Apesar dos pagamentos em dia, a Companhia Estadual de Armazéns (Cesa) foi surpreendida esta semana com uma determinação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), para sua retirada do porto. O terminal da Cesa é o único que embarca exclusivamente arroz e está há quase dois anos inoperante porque as autoridades portuárias estabeleceram seu entorno como canteiro de obras da ampliação do Porto Novo e reforma do cais. O presidente, Cláudio Cava, anunciou para hoje uma reunião com a Casa Civil do governo gaúcho, e considera que a medida pode configurar uma quebra unilateral de contrato.

A unidade de Rio Grande tem capacidade para 51,5 mil toneladas. Operadores, no entanto, já desconfiavam de medida similar, considerando a baixa operacionalidade da estrutura e as dificuldades que sempre acompanharam o trabalho da Cesa. Esta semana, por exemplo, uma balança está quebrada. A falta de espaço junto ao terminal para carga e descarga e operações simples, como a coleta de amostras para testes e classificação, precisam ser feitas fora da área da companhia, que vem vendendo suas estruturas pelo Estado para pagar dívidas, boa parte delas trabalhistas.

QUEDA INTERNACIONAL

Enquanto isso, a média de preços internacionais que passou o primeiro semestre reagindo, inverteu o sentido e desde julho começou a cair. Patrício Méndez del Villar, do Cirad da França, observa que em agosto a retração se manteve nos principais mercados de exportação, exceto no hemisfério Oeste, onde os preços se mostraram ainda firmes, especialmente nos Estados Unidos.

Na Ásia, a queda na Tailândia foi forte, pois as disponibilidades exportáveis tendem a aumentar com a chegada da segunda colheita. No Paquistão e no Vietnã, também os preços caíram devido à competição. Já a Índia não sente a baixa pela firmeza dos preços internos e a revalorização da rupia frente ao dólar. No final de agosto, os preços mundiais começavam a se estabilizar e esta tendência deveria prosseguir, pelo menos até a chegada da nova colheita principal asiática, anunciada em ligeira alta de 0,5% em relação a 2016. O comércio internacional poderá, com isso, aumentar 6,5%, voltando ao nível de 2015.

Em agosto, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 4,6 pontos, descendo abaixo do nível dos 200 pontos, a 199,8 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 204,4 pontos em julho. No início de setembro, o índice IPO tendia a se estabilizar em torno de 198 pontos.

EXPECTATIVA DE R$ 41,00

A Conab divulgou na semana que passou um estudo quanto às expectativas de comportamento de safra e mercado das principais culturas brasileiras. Prevê para 2018 pequena redução produtiva no arroz e preços, pela conjuntura e o padrão matemático utilizado também nas últimas previsões, em média de R$ 41,00, ou seja ainda abaixo daqueles R$ 43,00 que previa para 2017. Embora entre R$ 4,00 e R$ 5,00 acima dos preços pagos atualmente ao grão, a média se mantém abaixo do custo de produção no Rio Grande do Sul, mesmo que o Real valorizado ajude a reduzir os custos de insumos importados, como fertilizantes e agroquímicos. A expectativa extraoficial é de que o custo de produção médio gaúcho gire entre R$ 41,00 e R$ 45,00, dependendo da fonte e do critério de levantamento e cálculo.

MERCOSUL

Com a conjuntura atual e a tendência de preços médios abaixo do custo de produção, mais uma vez, a expectativa de que a intenção de plantio em 1,078 milhões de toneladas no RS não se confirme. No Mercosul situação não é muito diferente, apesar de promessas de redução das tarifas de energia sobre demanda elétrica e combustíveis, nenhum movimento neste sentido foi realizado pelos governos que postergam os “estudos”. Desta maneira está mantida uma expectativa de queda de pelo menos 3% na área uruguaia (de 162 para 157 mil hectares), de 3% na Argentina, de 207 mil para 201 mil hectares. O Paraguai, no entanto, que está inaugurando nova e moderna indústria para esta temporada, deve compensar com um aumento de 10 mil hectares projetado. Enquanto houver demanda brasileira, em média acima de 12 dólares por saca, haverá produção paraguaia na faixa de US$ 8,00 sendo ofertada.

 

 

FUENTE: ANáLISEDEMERCADO- por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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